Muitas pessoas ainda utilizam a expressão “extrema-unção” para se referir ao sacramento administrado a pessoas gravemente doentes ou próximas da morte. No entanto, na prática pastoral atual da Igreja Católica, o termo correto é Unção dos Enfermos. Embora exista uma relação histórica entre os dois termos, eles não são exatamente equivalentes — e compreender essa diferença ajuda a desfazer muitos equívocos.
Durante séculos, o sacramento era frequentemente administrado apenas nos momentos finais da vida. Por isso, consolidou-se a ideia de que ele era um “último rito”, recebido somente quando a morte parecia inevitável. A expressão latina extrema unctio (“última unção”) surgiu justamente desse contexto: tratava-se da última das unções sacramentais recebidas por um cristão ao longo da vida.
O problema é que essa compreensão acabou produzindo um efeito pastoral negativo. Muitas famílias passaram a evitar chamar o sacerdote cedo demais, pois acreditavam que receber a extrema-unção significava que a pessoa “já estava condenada à morte”. Em diversos casos, o sacramento era adiado até os últimos instantes de consciência do enfermo.
Após o Concílio Vaticano II, houve uma retomada mais fiel da compreensão bíblica e teológica desse sacramento. A Igreja passou a enfatizar que ele não é destinado apenas aos moribundos, mas a qualquer fiel que enfrente uma enfermidade grave, uma condição debilitante ou riscos significativos associados à idade avançada ou a cirurgias importantes.
Assim, o nome “Unção dos Enfermos” passou a expressar melhor o sentido do sacramento. Seu objetivo não é “anunciar a morte”, mas oferecer graça, conforto espiritual, fortalecimento da fé e união com Cristo diante do sofrimento humano. Em alguns casos, a tradição católica também reconhece a possibilidade de recuperação física associada à ação sacramental, se isso contribuir para o bem espiritual da pessoa.
O sacramento baseia-se especialmente na passagem da Epístola de Tiago:
“Alguém dentre vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.”
A celebração normalmente envolve a imposição das mãos, a oração do sacerdote e a unção com óleo bento na testa e nas mãos do enfermo.
É importante observar que a Unção dos Enfermos não substitui outros ritos ligados ao fim da vida cristã. Quando a pessoa está em perigo iminente de morte, ela pode receber também a confissão sacramental e a Eucaristia como viático — isto é, alimento espiritual para a passagem desta vida.
Portanto, pode-se dizer que a “extrema-unção” é uma forma histórica e mais restrita de compreender aquilo que hoje a Igreja denomina “Unção dos Enfermos”. A mudança de terminologia não foi apenas estética: ela representou uma mudança pastoral importante, recuperando o caráter de cuidado, consolo e esperança associado ao sacramento.


Deixe um comentário